terça-feira, 27 de setembro de 2011

meu pai

Meu pai era assim:
Menino grande
riso fácil,
Brincava com o diário.
Seria frágil?

Meu pai era assim:
Troçava da vida
Escondia a tristeza
Tamponava as feridas
Mesmo as mais doloridas.
E seguia,
meio atabalhoado.

Meu pai era assim:
Flanava,
Viajava,
Sonhava.
Mentia?

Meu pai era assim:
Infância resplandecida
Nos seus gestos,
No deitar sobre as águas
Nas coisas que inventava.
No sabor que sentia
Na fruta recém colhida,
No gole de uma cachacinha
No preparo da caipirinha.
Nos jogos de linguagem,
Nas brincadeiras,
nas anedotas que contava.

Meu pai foi assim:
Partiu como um passarinho
Voou em busca de outro menino,
Que, de longe, o chamava.

Meu pai é assim:
Lembrança
que me acompanha,

de pirlimpimpim.
Tão leve,
que espalha
E fica.
Até o nunca mais,
nunca mais, nunca mais...

Suzana Márcia Dumont Braga. set/2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Faminta

(adaptação do conto de Murilo Rubião: Bárbara)

Bárbara, pedia
A fruta do galho mais alto,
O anel com a pedra mais rara,
O mais intenso dos beijos,
a viagem ao país mais distante.
Heróico, ele ia buscar.
Escravo, queria/não queria
À mulher, o tudo dar.
“E se ela pedisse a lua?”
Não sabia que a fome
Que a devorava
Era a de desejar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

lista de coisinhas a toa que me deixam feliz

A ideia da lista começou com Otavio Roth e deu origem a muitas outras. É só olhar na internet.
Começo a minha lista com uma dúzia de coisinhas a toa que me deixam feliz:
gargalhada de criança
sentir gosto de infância.
cinema em dia de semana.
viagenzinha e viajona.
lareira acesa
dança na cozinha
namorar olhando a montanha.
Família em volta da mesa
conversa de (não) jogar fora
Escutar som de viola.
Receber carta
Encontrar pessoas de quem estou saudadosa.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Biludamião

Damião e Bilu andam por aí.
Damião-Bilu, biludamião.
Damião vê através de Bilu.
homemcão vagam pela cidade,
dia noite, noite dia.
Um tilintar de moeda aqui,
Um naco de pão acolá.
Uma pinga ajuda pra danar.
Na noite branca,
Damião sonha (im)preciso:
Nuvens de afagos,
beijo na boca, abraço de filho.
Lá tudo é possível:
Cachoeira de espumante,
Música dançante,
Mulher extravagante,
roupa esvoaçante,
brilho exuberante.
A noite é pra valsar ao luar
Que se torna branco imenso
Como a cegueira de Damião.
No vácuo daquele instante
É pra Bidu que estende a mão.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

faz de conta

Alheia ao mundo,
a pequena se faz de grande falando com as bonecas.
Em sua voz, ouço minha infância.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Double fantasy - uma homenagem

Homemcriança
mulhermãemistério
poderimponderável
amoródio
sacrossantossexo
parceirassintoma
johnyokouno
yokounojohn