segunda-feira, 6 de junho de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

bricolagem- textos antigos de cara nova

1- O canto insiste
Porque a vida é incompleta
Alegre e triste, sou poeta.


2- Tal qual um galo
Canto na madrugada
Tecendo o amanhã.

terça-feira, 24 de maio de 2011

hai-kai de avó

O pintinho amarelinho cabe aqui na minha mão
e a menina, dona dele,
Transborda meu coração.

Sapo cururu na beira do rio
A menina canta
Porque a vida espanta.

terça-feira, 10 de maio de 2011

subvertendo o dicionário

Poesia – palavra cantante que anda por caminhos di-versos.
Saudades - ressonâncias que cutucam vazios.
Tristeza – 1 - mergulho na dor de existir.
Tristeza – 2 - escuridão necessária pra se ver a luz do dia.
Alegria – momento em que só o agora tem importância.
Presente – jeito de estar na vida dos outros.
Fantasia – modo de vestir o mundo com outras cores.
Netos – aqueles que acordam a criança que mora em nós.
Viagem – saída para descobrirmos outros eus.
Lar - lugar que acolhe os meus retornos.
Amigo – bálsamo para as asperezas da vida.
Nostalgia – saudade do não vivido.
Palavra – mala precária pra envolver a intensidade da existência.
Psicanálise – possibilidade de reinventar-se.
Humor – magia que torna gostosos os dissabores.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ah, meu gato

No meu edredon,
meu gato faz ron-ron.
Sem juízo, passeia
pela minha teia
E me deixa
no país das maravilhas.

Na cozinha

Maria e José ficavam horas na cozinha. Embora nada entendesse de culinária, era José quem acendia o fogão a lenha. Essa sim, era sua especialidade. E Maria, ah, Maria gostava daquela arte! O fogo ardia e o caldo, preparado bem devagar, ficava saboroso. Entre uma mexida e outra na panela, às vezes trocavam passos de dança, ao som da voz de Vinícius, que vinha da sala: “ao sol que arde em Itapuã”. Os dois sorviam satisfeitos aquela delícia preparada com jeito. Lá fora, o canteiro de beijos plantado por José era testemunha daquele amor caseiro. Só deles dois.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A sede de Aqueronte

À noite, quando criança,
No meio do sono, acordava, palpitante.
Aqueronte, o rio carente de auroras,
insistia em cantar em seu ouvido.
A melodia era doce, um chamado.
Que era aquele mistério?
Corria, pulava no mar, para ouvir o canto da sereia.
Quem sabe o segredo estaria lá?
Acolhia os bichos abandonados,
Cuidava deles, acariciava-os,
para vê-los morrer depois.
Estrangulado pelas suas mãos,
tomadas pelo fascínio.
Destemido da vida, avançava, desafiando seus limites.
Onde estava a fronteira?
Navegava no barco de Caronte,
mas não via a cara da verdade.
E se deitava no leito das mulheres
Em busca de um gozo que era vida e morte.
E se embriagava , inebriado por uma ânsia de tudo ter.
Mas algo escorria, escapava dos seus dedos,
E Aqueronte renovava seu chamado.
No meio de Eros, lá estava seu sussurro.
Dançava em sua frente, na nudez das mulheres,
E dava uma piscadela, no afeto pelos amigos,
Na revolta contra a injustiça.
E em sua ânsia de desvendar os mistérios da natureza,
De seu corpo, tão jovem,tão belo.
De amores por conhecer.
Apressado, aprisionado, desassossegado,
queria a plenitude do tudo-saber.
Nada se comparava à volúpia de Tânatos.
Seria doce ser beijado por ela?
Um dia, decidido,
fez o movimento fatal.
Ouviu-se um estampido
e mais nada.
Lá se foi.
Condenando-nos
À falta de resposta.
Condição de nossa existência.