O pintinho amarelinho cabe aqui na minha mão
e a menina, dona dele,
Transborda meu coração.
Sapo cururu na beira do rio
A menina canta
Porque a vida espanta.
terça-feira, 24 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
subvertendo o dicionário
Poesia – palavra cantante que anda por caminhos di-versos.
Saudades - ressonâncias que cutucam vazios.
Tristeza – 1 - mergulho na dor de existir.
Tristeza – 2 - escuridão necessária pra se ver a luz do dia.
Alegria – momento em que só o agora tem importância.
Presente – jeito de estar na vida dos outros.
Fantasia – modo de vestir o mundo com outras cores.
Netos – aqueles que acordam a criança que mora em nós.
Viagem – saída para descobrirmos outros eus.
Lar - lugar que acolhe os meus retornos.
Amigo – bálsamo para as asperezas da vida.
Nostalgia – saudade do não vivido.
Palavra – mala precária pra envolver a intensidade da existência.
Psicanálise – possibilidade de reinventar-se.
Humor – magia que torna gostosos os dissabores.
Saudades - ressonâncias que cutucam vazios.
Tristeza – 1 - mergulho na dor de existir.
Tristeza – 2 - escuridão necessária pra se ver a luz do dia.
Alegria – momento em que só o agora tem importância.
Presente – jeito de estar na vida dos outros.
Fantasia – modo de vestir o mundo com outras cores.
Netos – aqueles que acordam a criança que mora em nós.
Viagem – saída para descobrirmos outros eus.
Lar - lugar que acolhe os meus retornos.
Amigo – bálsamo para as asperezas da vida.
Nostalgia – saudade do não vivido.
Palavra – mala precária pra envolver a intensidade da existência.
Psicanálise – possibilidade de reinventar-se.
Humor – magia que torna gostosos os dissabores.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Ah, meu gato
No meu edredon,
meu gato faz ron-ron.
Sem juízo, passeia
pela minha teia
E me deixa
no país das maravilhas.
meu gato faz ron-ron.
Sem juízo, passeia
pela minha teia
E me deixa
no país das maravilhas.
Na cozinha
Maria e José ficavam horas na cozinha. Embora nada entendesse de culinária, era José quem acendia o fogão a lenha. Essa sim, era sua especialidade. E Maria, ah, Maria gostava daquela arte! O fogo ardia e o caldo, preparado bem devagar, ficava saboroso. Entre uma mexida e outra na panela, às vezes trocavam passos de dança, ao som da voz de Vinícius, que vinha da sala: “ao sol que arde em Itapuã”. Os dois sorviam satisfeitos aquela delícia preparada com jeito. Lá fora, o canteiro de beijos plantado por José era testemunha daquele amor caseiro. Só deles dois.
terça-feira, 3 de maio de 2011
A sede de Aqueronte
À noite, quando criança,
No meio do sono, acordava, palpitante.
Aqueronte, o rio carente de auroras,
insistia em cantar em seu ouvido.
A melodia era doce, um chamado.
Que era aquele mistério?
Corria, pulava no mar, para ouvir o canto da sereia.
Quem sabe o segredo estaria lá?
Acolhia os bichos abandonados,
Cuidava deles, acariciava-os,
para vê-los morrer depois.
Estrangulado pelas suas mãos,
tomadas pelo fascínio.
Destemido da vida, avançava, desafiando seus limites.
Onde estava a fronteira?
Navegava no barco de Caronte,
mas não via a cara da verdade.
E se deitava no leito das mulheres
Em busca de um gozo que era vida e morte.
E se embriagava , inebriado por uma ânsia de tudo ter.
Mas algo escorria, escapava dos seus dedos,
E Aqueronte renovava seu chamado.
No meio de Eros, lá estava seu sussurro.
Dançava em sua frente, na nudez das mulheres,
E dava uma piscadela, no afeto pelos amigos,
Na revolta contra a injustiça.
E em sua ânsia de desvendar os mistérios da natureza,
De seu corpo, tão jovem,tão belo.
De amores por conhecer.
Apressado, aprisionado, desassossegado,
queria a plenitude do tudo-saber.
Nada se comparava à volúpia de Tânatos.
Seria doce ser beijado por ela?
Um dia, decidido,
fez o movimento fatal.
Ouviu-se um estampido
e mais nada.
Lá se foi.
Condenando-nos
À falta de resposta.
Condição de nossa existência.
No meio do sono, acordava, palpitante.
Aqueronte, o rio carente de auroras,
insistia em cantar em seu ouvido.
A melodia era doce, um chamado.
Que era aquele mistério?
Corria, pulava no mar, para ouvir o canto da sereia.
Quem sabe o segredo estaria lá?
Acolhia os bichos abandonados,
Cuidava deles, acariciava-os,
para vê-los morrer depois.
Estrangulado pelas suas mãos,
tomadas pelo fascínio.
Destemido da vida, avançava, desafiando seus limites.
Onde estava a fronteira?
Navegava no barco de Caronte,
mas não via a cara da verdade.
E se deitava no leito das mulheres
Em busca de um gozo que era vida e morte.
E se embriagava , inebriado por uma ânsia de tudo ter.
Mas algo escorria, escapava dos seus dedos,
E Aqueronte renovava seu chamado.
No meio de Eros, lá estava seu sussurro.
Dançava em sua frente, na nudez das mulheres,
E dava uma piscadela, no afeto pelos amigos,
Na revolta contra a injustiça.
E em sua ânsia de desvendar os mistérios da natureza,
De seu corpo, tão jovem,tão belo.
De amores por conhecer.
Apressado, aprisionado, desassossegado,
queria a plenitude do tudo-saber.
Nada se comparava à volúpia de Tânatos.
Seria doce ser beijado por ela?
Um dia, decidido,
fez o movimento fatal.
Ouviu-se um estampido
e mais nada.
Lá se foi.
Condenando-nos
À falta de resposta.
Condição de nossa existência.
terça-feira, 29 de março de 2011
Alice e o gato
Perdida,
Alice encontra o gato
Que não mostra o caminho
Não lhe devolve o ninho.
Caída,
No mundo do avesso
O gato apenas
aponta seu desejo.
Na vida, nos resta
(pro) seguir.
Alice encontra o gato
Que não mostra o caminho
Não lhe devolve o ninho.
Caída,
No mundo do avesso
O gato apenas
aponta seu desejo.
Na vida, nos resta
(pro) seguir.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Cacos e mosaicos
“Não há caminhos, os caminhos se fazem ao caminhar.” Pensava nessa frase enquanto andava pelos arredores. Olhava pra trás e se surpreendia com tantas mudanças em sua vida.
É mais ou menos como uma fila de dominós, uma vez que cai o primeiro, lá vão os outros, mesmo aqueles que se pensava tão no lugar.O que havia perdido? Com o que ainda permanecia?
Constatou a fragilidade do que é chamado de eu, como essa coisinha se ancora em pequenos traços, e, modificada a paisagem, fica-se a perguntar quem se é. Pra onde foi a tal identidade? Idêntico a que? Uma vez cavado o buraco, caído o primeiro dominó, caem as certezas. A vida, tão previsível, subitamente se desfaz. E ela acreditava que seria pra sempre!?...
Olhando pra trás, podia ver que na verdade não era bem assim. Parece que inventamos a teoria de que está tudo intacto. Somos cegos às mudanças que ocorrem bem na frente de nossos olhos, desconsideramos até as marcas que o tempo escreve em nosso rosto. Um dia o espelho do outro nos diz que era tudo ilusão.
Cata os cacos e com eles há mosaicos a construir. Quanto trabalho pela frente!O desfeito convida a refazer de um outro modo. Vê-se tomada de um novo entusiasmo que renova as energias. Seu olhar mudou, para si mesma e para o mundo. Na medida em que ganha novas cores, a paisagem também se torna mais colorida. O amor ganha novas feições.
Lembra-se: Está chegando o meu aniversário. O dia é de comemorar, pois o viver tem novos paladares. Que bom experimentar! Vida-morte, morte-vida.
É mais ou menos como uma fila de dominós, uma vez que cai o primeiro, lá vão os outros, mesmo aqueles que se pensava tão no lugar.O que havia perdido? Com o que ainda permanecia?
Constatou a fragilidade do que é chamado de eu, como essa coisinha se ancora em pequenos traços, e, modificada a paisagem, fica-se a perguntar quem se é. Pra onde foi a tal identidade? Idêntico a que? Uma vez cavado o buraco, caído o primeiro dominó, caem as certezas. A vida, tão previsível, subitamente se desfaz. E ela acreditava que seria pra sempre!?...
Olhando pra trás, podia ver que na verdade não era bem assim. Parece que inventamos a teoria de que está tudo intacto. Somos cegos às mudanças que ocorrem bem na frente de nossos olhos, desconsideramos até as marcas que o tempo escreve em nosso rosto. Um dia o espelho do outro nos diz que era tudo ilusão.
Cata os cacos e com eles há mosaicos a construir. Quanto trabalho pela frente!O desfeito convida a refazer de um outro modo. Vê-se tomada de um novo entusiasmo que renova as energias. Seu olhar mudou, para si mesma e para o mundo. Na medida em que ganha novas cores, a paisagem também se torna mais colorida. O amor ganha novas feições.
Lembra-se: Está chegando o meu aniversário. O dia é de comemorar, pois o viver tem novos paladares. Que bom experimentar! Vida-morte, morte-vida.
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