Desde criança a imagem do homem aranha o encantara. Era o seu grande herói que se escondia sob a identidade do tímido jornalista Peter Parker. De tanto pensar, de tanto querer o homem aranha, uma idéia começou a fermentar em sua cabeça: E se acontecesse algo desastroso que resultasse numa mutação sua? Afinal, seu herói surgiu ao acaso, a partir da picada de uma aranha submetida aos efeitos de radiação.
E se tivesse uma sorte parecida? Se era tão tímido quanto Parker, porque não seria também submetido aos mesmos avatares?
Procurou uma aranha, daquelas grandonas, de pelo aveludado. Entrou no laboratório de ciências do colégio, colocou-a no peito e esperou.
Pra sua alegria, chegara sua hora, disse pra si mesmo.
E saltou da janela. Tinha virado um anjo.
quarta-feira, 2 de março de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Arroz e familia
Familia é um prato dificil de preparar. Com esta frase o escritor, romancista estreante, Francisco Azevedo costura seu romance: O Arroz de Palma. A trama é de uma simplicidade capaz de tornar cada leitor um coadjuvante do romance. Mas essa simplicidade é ao mesmo tempo tingida de tal delicadeza que nos deixa comovidos desde que tomamos o livro nas mãos, até terminá-lo com pesar, querendo mais um pouquinho. Quem, independente da idade e da circunstância singular, ainda não se questionou sobre a propria família, o lugar de cada um, os mitos que constroem cada romance familiar? Não sei o que os críticos literários têm dito sobre este livro, tão simples e tão palatável, diante das circunvoluções e ou das asperezas da literatura contemporânea. É um romance fora do tempo, ou, como diz o narrador, um tempo qualquer- mistério da terreníssima trindade- passado, presente e futuro, tres pessoas distintas, reunidas numa só.
lixo extra-ordinário
O que fazer com os restos? Tanto no sentido social como no sentido pessoal, eles podem ter caminhos diversos: viram entulho e ficam ali, sufocando a vida da gente, entupindo as cidades. Viram lixo que tenta-se jogar fora, para se ver livre. Mas acaba que o mal-cheiro persiste, pedindo uma solução. Os lixões das cidades mostram o resultado desta mera transferência do que é indesejável de um lugar pra outro: o problema continua a clamar por um encaminhamento, continua causando problemas.
Mas os restos podem ser reciclados, resignificados e virarem outra coisa. Podem ser transformados em matéria prima nas reciclagens e podem até tornarem-se obras de arte.
Um exemplo incrível disso é o documentário Lixo Extraordinário, dirigido pelo brasileiro João Jardim e a inglesa Karen Harley. O filme é candidato ao Oscar de melhor documentário do ano. Tem-se a emoção de assistir, mais que isso, de ser tomado pela beleza da sensibilidade do artista de transformar o lixo em obra de arte. O documentário acompanha o trabalho do mundialmente reconhecido artista brasileiro Vik Muniz que decide retornar ao estado do Rio de Janeiro, sua cidade natal e contribuir para transformar a vida das pessoas envolvidas com o lixão de Gramacho, localizado em Duque de Caxias e considerado o maior aterro sanitário do mundo.
Num trabalho de pesquisa-ação, Vik Muniz envolve-se com as pessoas que vivem no e do lixo e junto com elas constrói obras de arte, a partir da vida delas e tendo o lixo como matéria prima. Esta interação permite que essas pessoas saiam do lugar passivo de vítimas da pobreza e do lixo, para o papel de protagonistas de uma obra de arte e que resulta numa transformação na vida delas. Vik Muniz, num trabalho de construção, transforma junto com elas aquilo que era ordinário, no sentido pejorativo da palavra, em algo extra, que vai além, muito além.
Parece um pouco com o trabalho analítico, que também visa dar um giro e permitir que o analisante possa transformar, reposicionar-se diante daquilo que constitui o seu fantasma, a pedra do seu sapato, em outra coisa. O ato criador e o ato analítico tem este traço em comum, como diria Lacan, fazem do lixo, um luxo
Tomara que o mundo hollywoodiano reconheça este trabalho. Mas, se não reconhecer, algo já foi colocado em movimento. Não há mais volta. Também é assim o trabalho na psicanálise
Mas os restos podem ser reciclados, resignificados e virarem outra coisa. Podem ser transformados em matéria prima nas reciclagens e podem até tornarem-se obras de arte.
Um exemplo incrível disso é o documentário Lixo Extraordinário, dirigido pelo brasileiro João Jardim e a inglesa Karen Harley. O filme é candidato ao Oscar de melhor documentário do ano. Tem-se a emoção de assistir, mais que isso, de ser tomado pela beleza da sensibilidade do artista de transformar o lixo em obra de arte. O documentário acompanha o trabalho do mundialmente reconhecido artista brasileiro Vik Muniz que decide retornar ao estado do Rio de Janeiro, sua cidade natal e contribuir para transformar a vida das pessoas envolvidas com o lixão de Gramacho, localizado em Duque de Caxias e considerado o maior aterro sanitário do mundo.
Num trabalho de pesquisa-ação, Vik Muniz envolve-se com as pessoas que vivem no e do lixo e junto com elas constrói obras de arte, a partir da vida delas e tendo o lixo como matéria prima. Esta interação permite que essas pessoas saiam do lugar passivo de vítimas da pobreza e do lixo, para o papel de protagonistas de uma obra de arte e que resulta numa transformação na vida delas. Vik Muniz, num trabalho de construção, transforma junto com elas aquilo que era ordinário, no sentido pejorativo da palavra, em algo extra, que vai além, muito além.
Parece um pouco com o trabalho analítico, que também visa dar um giro e permitir que o analisante possa transformar, reposicionar-se diante daquilo que constitui o seu fantasma, a pedra do seu sapato, em outra coisa. O ato criador e o ato analítico tem este traço em comum, como diria Lacan, fazem do lixo, um luxo
Tomara que o mundo hollywoodiano reconheça este trabalho. Mas, se não reconhecer, algo já foi colocado em movimento. Não há mais volta. Também é assim o trabalho na psicanálise
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
terça feira: dia de ficar
Terça feira é dia de ficar. É, assim como os adolescentes. Ficar com a escrita. Sem compromisso, flertar com ela e ver no que vai dar. Vai dar namoro? Sei lá! Casamento? Provavelmente, não. Mas gosto desse sopro doce que me visita e me faz querer estar lá onde o mais além da palavra habita.
Um dia a palavra me encantou, pra me tornar humana. Mais tarde, torna a me chamar, pra me fazer mulher. Mas e o chamado de escritora? Desses radicais que viram uma danação? Daqueles que querem a palavra viva, sem metáforas, falando por si mesma? Confesso que ainda não ouvi esse canto de sereia, que parece jogar os escritores no mar da não linguagem.
Por enquanto fico por aqui, no risco tímido, passo miúdo, como nos primeiros beijos, desajeitados, dos adolescentes.
Um dia a palavra me encantou, pra me tornar humana. Mais tarde, torna a me chamar, pra me fazer mulher. Mas e o chamado de escritora? Desses radicais que viram uma danação? Daqueles que querem a palavra viva, sem metáforas, falando por si mesma? Confesso que ainda não ouvi esse canto de sereia, que parece jogar os escritores no mar da não linguagem.
Por enquanto fico por aqui, no risco tímido, passo miúdo, como nos primeiros beijos, desajeitados, dos adolescentes.
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